segunda-feira, 20 de julho de 2015

Um Prosador Gaúcho



No seio de uma família tradicional da cidade de Pelotas, nasceu, em 9 de março de 1865, João Simões Lopes Neto, tornando-se um ícone na literatura gaúcha, pelo estilo demonstrado através de seus contos e causos sobre o povo do seu Estado.

Durante seus cinquenta e um anos de vida, Simões Lopes tentou ser empresário, mas o fracasso foi maior do que os seus sonhos. Durante suas tentativas profissionais, foi professor, capitão  da Guarda Nacional e Conselheiro Municipal em Pelotas, sem ter conseguido, entretanto, a sua realização profissional.

Aos vinte e sete anos de idade, constituiu família, casando-se com Francisca de Paula Meireles Leite, sem que o destino lhes reservasse filhos.

Simões Lopes sempre sentiu-se atraído pela literatura, mas desabrochou como escritor somente aos 29 anos de idade, com o seu primeiro conto, intitulado “Mandinga”, publicado num jornal.

Durante sua vida literária, participou de diversas entidades, sendo um dos fundadores da Academia de Letras do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no ano de 1910, onde dedicava parte da sua vida entre livros, na busca da sua realização pessoal.
 
João Simões Lopes Neto publicou apenas quatro livros: Em 1910, ”Cancioneiro Guasca”, em 1912, “Contos Gauchescos”, em 1913, “Lendas do Sul”, em 1914 “Casos do Romualdo”.

O autor anunciou o lançamento de outras obras que nunca foram encontradas pela família, a não ser o que foi publicado pela Editora Sulina, em 1955, com o nome de “Gaúcho”. Mas a obra de Simões Neto não fica estagnada nessas publicações, ele também foi descoberto no meio jornalístico, onde deixou um riquíssimo patrimônio publicado. 
  
            Simões Lopes é considerado pelos críticos literários o maior escritor regionalista rio-grandense da sua época, por ter sempre valorizado, nas suas obras, a história do gaúcho e suas tradições. Segundo Antônio Cândido, a natureza adquire dimensões míticas nos contos de Simões Lopes, revelando a presença de uma mentalidade primitiva, coerente com as circunstâncias donde provêm os heróis da narrativa. Dizem alguns críticos literários que Simões Lopes ultrapassa o real quando representa o gaúcho em suas narrações, alcançando o mito de Lilith ao narrar o feminino rio-grandense.

Simões Lopes deixou expressiva contribuição intelectual à literatura gaúcha, entretanto, só alcançou a glória literária após a sua morte, com o lançamento da edição crítica de Contos Gauchescos e Lendas do Sul, em 1949, organizada pela Editora Globo e Augusto Meyer, com apoio de Érico Veríssimo e do editor Henrique Bertaso.

Em diversos estudos, buscando a originalidade do autor e a valorização da sua obra, a prosa de Simões Lopes Neto, rica em linguagem coloquial gaúcha, artisticamente elaborada, ultrapassa hoje os limites territoriais, tornando-se uma literatura universal, sendo encontradas em todo o mundo traduções de sua obra em diversos idiomas.

João Simões Lopes Neto faleceu no dia 14 de junho de 1916.


Autor da pesquisa: J.G.Ribeiro

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